Cabanagem: o massacre

Fundamental.

Lúcio Flávio Pinto

O jornal A Província do Pará, de Belém, já extinto, tinha, como vários outros, uma seção de retrospectiva. Republicava algumas das suas matérias de quatro ou cinco décadas antes. Em 1967, o titular faltou ou se afastou, não lembro direito. O diretor de redação, Cláudio Augusto de Sá Leal, me encarregou de substituí-lo. Eu ingressara no jornal, menos de um ano antes, quando tinha 16 anos, justamente por causa do meu interesse por história. Meu primeiro texto foi sobre o final da segunda guerra mundial.

Para fazer a retrospectiva, fui ao Arquivo Público, bem ao lado, na rua Campos Sales, no centro antigo de Belém. Lendo as coleções do jornal, minha curiosidade foi desviada para outras fontes. Acabei na figura de Felipe Patroni, dono e principal redator do primeiro jornal da Amazônia, O Paraense, de 1821.

Patroni era então um vanguardista, mesmo sendo também um conservador. Combinava ideias…

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O povo dos rios

Discriminação velada.

Lúcio Flávio Pinto

Institucionalmente, os governos só se lembram de vez em quando da população mais antiga da Amazônia, que mora nas margens dos rios. Pessoalmente, as autoridades públicas só marcam presença em períodos pré-eleitorais ou com evidente propósito de conquistar votos. Cada vez mais atuante mesmo, só o crime organizado. Quase toda semana há notícia de crimes violentos, do homicídio ao latrocínio, da agressão ao estupro.

No Marajó, no sábado passado, moradores que já haviam sido assaltados contrataram um segurança particular para protegê-los. O mesmo bando voltou e a primeira coisa que fez ao invadir a casa foi executar o segurança, um rapaz de 24 anos. Depois de matá-lo com tiro de espingarda, o evisceraram. Não precisavam ser tão bárbaros para repetir o assalto. Foram além para reforçar o amedrontamento geral. A bandidagem impera no interior do Pará.

A polícia vasculha, eventualmente prende os criminosos, os executa quando pode. Raramente pode agir…

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Sem fantasmas, por fineza

Ovo da serpente, logo aqui.

Lúcio Flávio Pinto

Em Santarém existe uma Associação dos Descendentes dos Confederados Americanos na Amazônia. Ela tem uma referência histórica: a chegada ao município dos seus mais antigos ascendentes, americanos que migraram para o Brasil em função da guerra de secessão nos Estados Unidos, sua pátria.

Há inúmeras associações desse tipo espalhadas pelo Brasil e o mundo. O principal instrumento de comunicação dessa comunidade era um site (ou blog). Iniciado em 2008, sua última postagem foi sem setembro de 2015. Abrigava de tudo: desde festas e rememoração da origem dos antepassados até uma seção permanente de poesia – de boa poesia, aliás.

Quem acha que essa comunidade é um quisto de racismo, escravagismo e supremacia branca, devia fazer uma consulta a essa fonte. Eu também sou “contra a ideologia dos sulistas norte-americanos que perderam a Guerra da Secessão no século XVIII, em sua nação”, como proclama a nota da comissão executiva do PT…

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Perfil dos cabanos

Que perfil interessante, relativizando os critérios adotados para a época.

Lúcio Flávio Pinto

A relação nominal dos rebeldes presos a partir de 1836 pelas tropas imperiais brasileiros, deslocadas para combater a revolta dos cabanos (*), que estava inédita até divulgá-la no livro Cabanagem – O massacre, no início de 2020, permite pela primeira vez traçar o perfil dos cabanos com base nos documentos da época, que são os registros feitos pelas autoridades públicas no momento mesmo das prisões.

Retomo a divulgação das informações que recolhi em anos de pesquisas no acervo da antiga Biblioteca e Arquivo Público do Pará, como contribuição para a história da revolta popular iniciada em Belém a 7 de janeiro de 1835, com seus antecedentes e desdobramentos. Espero que auxilie a pesquisa dos que se interessam pelo tema

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(*) – Documentação contida nos códices manuscritos 531, 972, 973, 974, 1.130, 1.131 e 1.132 da Biblioteca e Arquivo Público do Pará.

IDENTIFICAÇÃO DOS CABANOS

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Talibans e regime saudita: descubra as diferenças

Qual é a diferença? A diferença é que os sauditas metem cá – Ocidente – muito dinheiro, e com muito dinheiro pode-se cuspir na democracia, espancar mulheres, cortar jornalistas às postas e financiar terroristas sem que os democratas europeus e norte-americanos arrebitem cabelo. É essa, a diferença.

Talibans e regime saudita: descubra as diferenças