Fogo, sangue e cifrão

Coloco mais um livro à disposição dos leitores. É Amazônia – Fogo, Sangue e Cifrão (edição do autor, 246 páginas), com apoio do site Amazônia Real, de Manaus, do qual sou colaborador. Por enquanto, na Livraria da Fox. A partir da semana que começa, em vários pontos de venda. Reproduzo a apresentação do livro. ­­­­­­­­­­_________________________ […]

Fogo, sangue e cifrão

Repertório | Xadrez Verbal Entrevista #2.14 – Paulo Siqueira

Filipe Figueiredo e Matias Pinto receberam Paulo Siqueira para um papo sobre TI, eleições, trabalhar nas Nações Unidas e morar na Gloriosa República de Vanuatu! Dicas do Sétimo Selo e links Em breve Playlist das músicas de encerramento do Xadrez Verbal no Spotify Canal do Xadrez Verbal no Telegram Ouça o podcast aqui ou baixe […]

Repertório | Xadrez Verbal Entrevista #2.14 – Paulo Siqueira

A IDADE DA DERROTA – ACEITE!

Meu finado pai, dizia algumas frases engraçadas (sobre a idade e as limitações físicas, decorrente), como “não deixe a peteca cair”, ‘não entrego a rapadura”. Morreu devido a um acidente de carro.

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Este texto sobre o envelhecer eu gosto muito. Tenho sessenta anos. Não te iludas: não estou ainda bastante fraco para ceder às imaginações do medo, quase tão absurdas como as da esperança e seguramente muito mais penosas. Se fosse preciso enganar-me a mim mesmo, preferia que fosse no sentido da confiança; não perderia mais com isso e sofreria menos. Este fim tão próximo não é necessariamente imediato; deito-me ainda, todas as noites, com a esperança de chegar à manhã seguinte. Adentro dos limites intransponíveis de que te falei há pouco, posso defender a minha posição passo a passo e recuperar mesmo algumas polegadas do terreno perdido. Não deixo por isso de ter chegado à idade em que a vida se torna, para cada homem, uma derrota aceite. Dizer que os meus dias estão contados não significa nada; sempre assim foi; é assim para todos nós. Mas a incerteza do…

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Utinga: investigação recomeça

Lúcio Flávio Pinto

O governo do Estado terá que recomeçar, desde o princípio, a apuração de “possíveis ilícitos administrativos” praticados pela Paulitec Construções, na obra do Parque do Utinga. A investigação começou em 2019, cinco anos depois da assinatura do contrato entre a secretaria de Cultura, chefiada pelo arquiteto Paulo Chaves Fernandes (já falecido), e a empresa paulista.

Na confusa e atribulada tramitação do processo, uma das peças principais de instrução era um relatório de auditoria da DAFO’s Engenharia & Consultoria, entregue à Secult em setembro do ano passado. A Auditoria Geral do Estado, porém, só soube do documento no dia 9 deste mês. Pediu acesso ao relatório, que não foi localizado nem nos arquivos nem no e-mail institucional da secretaria, apesar do seu volumoso tamanho.

O auditor-geral José Rubens Barreiros de Leão recomendou a anulação do processo administrativo de responsabilização da empresa, “ante a prática de atos, desde a sua instauração, eivados…

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Colonialismo

Lúcio Flávio Pinto

A multinacional norueguesa Hydro, que produz bauxita, alumina e alumínio no Estado (através da Mineração Paragominas, Alunorte e Albrás), foi uma das principais anunciantes na edição de hoje do Diário do Pará, com duas páginas inteiras de propaganda vazia. Continua sem responder ao questionamento essencial: por que não vai além do metal de alumínio primário, só o transformando fora do Pará e do Brasil.

O único beneficiamento é realizada por outra empresa instalada em Barcarena, a argentina Alunar – que, aliás, deu uma página de publicidade ao jornal da família Barbalho. Na peça, declara ser “uma das maiores fabricantes de cabos elétricos da América Latina e uma das maiores produtoras de vergalhões de alumínio do continente”. E tudo isso só com pequena parte da produção da Albrás.

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Maior mina de bauxita

Lúcio Flávio Pinto

A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) está buscando parceiros para construir o projeto Rondon, no Pará, avaliado em R$ 2 bilhões e que pode atingir a capacidade de produção de até 18 milhões de toneladas de bauxita por ano. A empresa afirma que já mantém “conversas” com possíveis interessados, mas sem revelar nomes.

(Fonte: Notícias de Mineração Brasil)

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Se essa produção foi alcançada, Rondon terá a maior mina de bauxita do Pará e do Brasil. A CBA, da família Ermírio de Moraes, passará à frente da Mineração Rio do Norte (da qual é sócia) e da Mineração Paragominas (da Hydro).

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Cabanagem: o massacre

Fundamental.

Lúcio Flávio Pinto

O jornal A Província do Pará, de Belém, já extinto, tinha, como vários outros, uma seção de retrospectiva. Republicava algumas das suas matérias de quatro ou cinco décadas antes. Em 1967, o titular faltou ou se afastou, não lembro direito. O diretor de redação, Cláudio Augusto de Sá Leal, me encarregou de substituí-lo. Eu ingressara no jornal, menos de um ano antes, quando tinha 16 anos, justamente por causa do meu interesse por história. Meu primeiro texto foi sobre o final da segunda guerra mundial.

Para fazer a retrospectiva, fui ao Arquivo Público, bem ao lado, na rua Campos Sales, no centro antigo de Belém. Lendo as coleções do jornal, minha curiosidade foi desviada para outras fontes. Acabei na figura de Felipe Patroni, dono e principal redator do primeiro jornal da Amazônia, O Paraense, de 1821.

Patroni era então um vanguardista, mesmo sendo também um conservador. Combinava ideias…

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O povo dos rios

Discriminação velada.

Lúcio Flávio Pinto

Institucionalmente, os governos só se lembram de vez em quando da população mais antiga da Amazônia, que mora nas margens dos rios. Pessoalmente, as autoridades públicas só marcam presença em períodos pré-eleitorais ou com evidente propósito de conquistar votos. Cada vez mais atuante mesmo, só o crime organizado. Quase toda semana há notícia de crimes violentos, do homicídio ao latrocínio, da agressão ao estupro.

No Marajó, no sábado passado, moradores que já haviam sido assaltados contrataram um segurança particular para protegê-los. O mesmo bando voltou e a primeira coisa que fez ao invadir a casa foi executar o segurança, um rapaz de 24 anos. Depois de matá-lo com tiro de espingarda, o evisceraram. Não precisavam ser tão bárbaros para repetir o assalto. Foram além para reforçar o amedrontamento geral. A bandidagem impera no interior do Pará.

A polícia vasculha, eventualmente prende os criminosos, os executa quando pode. Raramente pode agir…

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